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a alegria é um antigo caderno de caligrafia


eu não soube explicar para uma senhora de 77 anos, de roupas humildes e fala simples, o que era a internet. o seu olhar doce-perdido me fez descobrir outro tipo de tristeza.



Escrito por Dyl Pires às 23h47
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as lembranças também param diante do sinal fechado. as pessoas esperam o trem com o olhar enterrado em alguma bola colorida de natal. uma borboleta há dias está pousada no corredor de um prédio antigo. há embrulhos humanos espalhados pelos canteiros da cidade. no contato com a grama advinham o outono que se aproxima. dois homens passam de mãos dadas. os policais cochicham e sorriem. uma senhora elegante desce do táxi e se dirige à portaria do seu condominio. ela me faz pensar que a velhice nas construções verticais é como uma árvore que galha dentro de uma garrafa de vidro.



Escrito por Dyl Pires às 15h58
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Avenida Paulista

ela tinha uma cachorrinha chamada psicanálise
ele tinha um gatinho chamado teatro
 


Escrito por Dyl Pires às 10h19
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escrevo pra ninguém



Escrito por Dyl Pires às 15h51
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o autor dos poemas de "Atrás da Vidraça" veio me ver. deixou um exemplar autografado. depois uma bela revelação: "estou indo entrevistar manoel de barros". fiquei feliz, pois sei que ele vai fazer um bom trabalho a exemplo do que fez com Gullar; logo depois, quando se foi, me pus a pensar: como deve estar bernardo, seu alter ego??!! o poeta do Pantanal está quase totalmente surdo, quase totalmente cego, perdeu um filho e está com outro acamado. "só uma alma atormentada para trazer pra voz um formato de pássaro".



Escrito por Dyl Pires às 10h41
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Nada mais patético: frases de grandes pensadores ditas como pensamento do dia em programas televisivos de culinária. é a vida! e não é bonita, e não é bonita!



Escrito por Dyl Pires às 15h47
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12 de dezembro/ aniversário de Jorgeane!

nos ENCONTRAMOS nessa imensa roda. acho que se somássemos tudo daria um filme absurdo ou circense. mas a sombra do humano nos perseguiu tanto, e apesar da sua mãe aparecer em sonho para nos alertar, e por mais que tentássemos, não conseguimos nos afastar da luz. no fundo ninguém consegue-consegue! joroba, depois de um tempo a memória torna-se um grande par de olhos pousando sobre as pessoas, sobre o tempo, sobre as coisas; e nisso reside a violência de estar vivo. nos esgotamos de procurar na vida e começamos a nos limitar ao compartimento vasto, mas por vezes estreito da memória. vasculhando um pouco nestas últimas 24h descobri uma dedicatória de 6 anos no "Lygia Clark Hélio Oiticica Cartas 1964-1974", que dizia" te saber existente me é essencial". te devolvo agora: TE SABER EXISTENTE ME É ESSENCIAL! um eco pomposo da tua voz e presença me acompanha os passos sempre e pra sempre. Parabéns! te amo.



Escrito por Dyl Pires às 23h50
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o passeio com o cão

deixou de ser uma simples alegria

no dia em que decidimos

colocar a solidão na coleira



Escrito por Dyl Pires às 23h43
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até o fim tudo será sempre um aprendizado. aos 41 anos, saudades é o que eu mais sinto hoje em dia!



Escrito por Dyl Pires às 23h40
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POESIA E ARTES PLÁSTICAS NA ILHA!



Escrito por Dyl Pires às 23h39
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O Palhaço

quando o silêncio é uma tristeza de circo
ainda que se ria
só há a piscina vazia
da última alegria



Escrito por Dyl Pires às 17h40
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toda sensibilidade é uma queixa contra o mundo.



Escrito por Dyl Pires às 22h07
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a mão do invisível é uma lingua de gato que passeia pelos olhos e move dentro os escuros.



Escrito por Dyl Pires às 12h14
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"Se eu me perder me perdoa".



Escrito por Dyl Pires às 13h17
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AS 21 ENQUETES POÉTICAS DE 2011

Em dias de chuva o que fazem os mortos?

O que são as pessoas trancadas em seu silêncio?

O que se deseja quando se guarda as vésperas dos dias que não existiram?

O que é o ir e vir?

O que estão construindo aqueles que martelam o nada a vida inteira?

Que tempo assistirá ao silêncio póstumo em que não caberei?

Na ante véspera da primeira angústia o que houve?

O que é uma delicadeza perdida?

0 que é uma alegria dada pelo imposssível?

Quando com o sol meio escondido o vento é uma pergunta no rosto?

Quando o desassossego é um enigma insuspeito?

Por que ser perdoado para mais uma noite excita a infância de mais uma queda?

Por que só os tristes podem ser alegres?

Quando o desencanto é um pensamento concluso?

No seu calendário de datas invisíveis hoje é dia de que?

Por que o ao redor é uma entidade que possui a delicadeza dos fones de ouvido?

Por que o domingo é um não dia?

O que se quer quando se deposita esperança naquilo que não se fixa no tempo?

Quando eu vinho de onde eu venho?

Por que o sentimento em relação à arte não ultrapassou a imagem de um pinguin de geladeira?

O que é um encontro que não cabe numa data?



Escrito por Dyl Pires às 12h30
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