o cocoricó do galo se tornou
um claro pedido de socorro
ouço-o sem o odor sereno de talco
no pescoço das manhãs
os quintais da memória
carregam a escritura de outro significado
mas a memória é a morte
e o galo já não canta mais senão o cadáver do último sol
sendo ele mesmo
um arranjo de penas e esporões fantasmas
Escrito por dylpires às 10h20
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