fragmento achado em 2061 nos subterrâneos da feira da praia grande
pedaço de náufraga coisa
sombra que se contorce
passarela-matadouro do ver
espero pela primeira partida
para sentir tal qual uma perna ausente
o tempo como um aleijume
lis-jorgeane-catarina-gissele-rose-cássia-gilberto-jales-alexandre-hagamenon-bioque-ailton-ricardo-natan-josoaldo-couto-paulão-samarone
um único nome
o nome mais comprido do indizível
intranquilos dias do espírito
íntimos ruídos nas fundas águas da voz
caixão-espelho
o mais-do-mesmo
Escrito por dylpires às 11h36
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estou de volta. mas há dois dias estava em são paulo. pelo entorno da luz. a mais bela das estações. sair de um espaço e entrar em outro no mais brevíssimo possível me fascina muito. um caminhar rápido, e já estava enfileirando a lista de visitas ao museu da língua portuguesa para ver machado de assis. a exposição começou dia 15. e vai ficar por 6 meses. assim também foi pretensamente com duchamp que estar no MAM. mas duchamp como bem escreveu gerald thomas no seu blog ( o link está aí ao lado) não precisa de uma retrospectiva. é até mesmo, de fato, um insulto a tudo o que ele representa ou não representa(?!). afinal, como posso ter uma retrospectiva de idéias, conceitos, já que obra mesmo é o de "menos"?! mas teve aquele maravilhoso e cômico bate papo entre o gerald thomas e o alberto guzik no sesc da paulista. intitulado como "O QUE DER NA TELHA". Na hora "h" acabou mesmo dando pouco na telha do público. que ao meu ver jogou tudo para o mar das "perguntas mortas" como a exemplo de: "o que é arte?" guzik, como sempre foi bem generoso. mas gt partiu para cima da perguntante (literalmente!!) e performatizou alguma luz sobre a criaturazinha meigamente burguesa que quer “pensar o fragmento” sob a perspectiva de um todo falido. Andar por aquelas bandas não é mais novidade... mas eu não vivo atrás de novidade. Somente de algo que escandalize o espanto que trago em mim. Ou mesmo, o inverso... sei lá! E volto. E me deparo com a morte de mestre Felipe. Tambor grande, meião, crivador. Adeus tudo. E não adianta ter passado para outros o aprendizado. A ciência da coisa. Não adianta. Que ótimo que alguns aprenderam... mas mesmo assim não adianta. É a mesma coisa que senti quando fui ver o museu do inconsciente. A idéia está lá. O projeto tocado para “frente”. Mas falta a nise da Silveira. Os herdeiros de hoje são pessoas que compram as idéias sem se angustiarem com as mesmas. O tambor se calou para sempre mesmo. Acreditem! E como se não bastasse, eu ainda sinto amor por tudo isso... ou prazer! Acho que esta é a palavra mais apropriada. Prazer por sermos somente “o fantasma da dor de existir!”
Escrito por dylpires às 16h17
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