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A mãe tem anotado num caderno um verso de Jorge Luís Borges. Diz ser sua a escritura que une em uma única linha morte e festa. Nunca suspeitara da existência do bardo dos labirintos, Shakespeare, espelhos, neblina. E como se não bastasse a solicitação de um mesmo ritual para quando do uso das duas mais altas máscaras de partida e chegada, a mãe também está ficando cega. Os móveis da infância há muito não estão no lugar. A memória não os organiza mais como lembrança. A presença esculpida como um cemitério de gestos e o olho que começa a mancar na escuridão são os dois últimos legados de uma estrada comprida, vista da janela pelo filho, cujo silêncio é um ensaio para outra morte.
Escrito por Dyl Pires às 17h15
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Visto da janela do Circular 1 na Ponte do São Francisco
o mar está à minha frente com seu imenso pescoço agitado
temo em pensar que não saberei mais contemplá-lo com os olhos de quem erra como se dentes fossem as artérias do mistério Escrito por Dyl Pires às 11h49
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... que longo caminho. longo. como o longo silêncio dos que desenharam a fundeza de coisas íntimas. e que por tão longo faz o outro duvidar. logo ele. que compõe a imagem deste longo silêncio sem nem sequer suspeitar. triste permanecerei intacto. até que me advinhe no que valha o silêncio. ou morra para sempre o que já se anuncia fantasmagórico. Escrito por Dyl Pires às 11h15
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enfim o bode veio. desde aquele dia no sitio. o sacrificio da origem. o canto sacrifical. o ancestral berrando na carne. foi ontem, 6 de junho. sábado. o espetáculo começou ali. com público e tudo. ave dionisio. ave baco. evoééé!!! Escrito por Dyl Pires às 10h09
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